24 novembro 2009

Do Começo Ao Fim ou quanto vale minha quiche



"Do Começo Ao Fim" tinha tudo pra ser um dos melhores filmes brasileiro do ano, mas não atinge nem o menor patamar de qualidade que o classificaria como bom.

Sob a premissa de um incesto entre dois lindos irmãos homossexuais o roteiro não evoca conflito algum, e por mais que você ache isso impossível devo dizer que lá pra metade da fita surge um impasse no cotidiano do açucarado casal que beira a profundidade de um "Você Decide" - referência que a senhora polida leitora deste blog possui, néan?

Isto posto, e nada colocado (ui) passamos a viver a dor da separação destes amantes qdo o mais novo  deles, nadador, se vê diante da possibilidade de treinar p/ as Olímpiadas na Rússia, tendo que abandonar o seu amor num Rio de Janeiro ricko e ensolarado todo trabalhado no requinte de Maneco, outra referência que a polida senhora leit...ZzzZzz...

...Teríamos aí um problema (precisava de mais um?), se não fosse o caso do rapaz precisar ficar apenas 3 aninhos sem fornicar com o seu amor-irmão, entende?  Em nenhum momento você deseja que a viagem não aconteça, afinal diante da exuberante e ostentativa rotina dos belos rapazes você logo imagina a facilidade com que cruzariam a ponte aérea Brasil/Rússia, tudo isso com a complacência e patrocínio do pai, interpretado por Fábio Assunção que aceita placidamente o relacionamento dos pombinhos desde cedo. Aliás, a aceitação dos personagens na trama é digna de lordes dinarqueses  - primeira sociedade no mundo a aceitar a união civil gay em 1989, tá? Em "Do Começo Ao Fim", não há choque de idéias, não há diálogo, o filme não propõe nenhuma discussão.




A única coisa boa além da fotografia do suíço Ueli Steiger ("Godzilla", "O dia depois de amanhã" e "O patriota") é atuação precisa e contudente de Júlia Lemmertz, que interpreta a médica mãe dos meninos incestuosos, e o trágico mesmo é se deparar com a morte da personagem na primeira parte do filme. A partir dalí o troço desanda de vez. O filme resume-se aos movimentos sexys dos atores João Gabriel Vasconcelos e Rafael Cardoso e um xororô novelesco como não se via desde Matheo e Juliana, capisce?

Em suma, achei um puta filme bunda-mole-do-kcte, e achei super digno pagar R$ 5,00 pela quiche que degustei no Reserva Cultural em relação aos R$ 3,00 que paguei pelo ingresso promocional, na campanha promovida pela Ancine pelo cinema nacional.

11 comentários:

  1. Evandro Lima28/11/2009 14:25

    Gostei do Filme! só que eu esperava +
    Não teve sentido,esquizito.

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  2. arrasou na resenha!
    mas naum foi dygno eu pegar 18 reais pra ver essa coisa! Isso porque na verdade eu tinha ido ao Espaço Unibanco pra ver uma projeção especial de Manderlay, do Lars Von Trier, e acabei chegando 10 minutos atrasado. Daí falei, quer saber? Já que tô aqui, vou ver logo esse filme... triste erro! rrssrs

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  3. mas, é isso mesmo Zeca. Eu assisti no Reserva também...e concordo. O roteiro não é bom...

    Fiquei insatisfeito sim.

    Eu acho que faltou o conflito, por mais simples que seja, a gente passa por conflitos, por superaçÕes, e por ai vai...

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  4. Nossa, o mundo não é um mar de rosas, mas também gostar tanto de conflito assim, basta assistir aos telejornais e aos programinhas de problemas em famílias que imperam nas tardes televisivas. Porque não temos um filme onde o que está em foco é a verdadeira essência do amor, que se abstrair de todo e qualquer paradigma ou forma em que a sociedade impoe.
    O amor deles é o mais genuíno amor: de irmãos, de pai para filho, de amigos, de amantes....não importa o rótulo que se dê, mas a intensidade que se permite vivenciar e desfrutar desse amor.
    Queremos ainda filmes que tratam do assunto da homossexualidade com repressão, ódio, pais que mandam filhos para o manicônio?
    Os tempos mudaram,hoje há mais gays se assumindo tranquilamente devido ao grande apoio da família. A questão do incesto é um tabu, mas como a homossexualidade, não foi escolha ou pura opção deles, mas sim um fato que faz parte de cada um deles, nada melhor do que encarar com naturalidade. Não vivemos num mar de rosa, mas há muitas flores em nosso caminho, vamos cada vez mais semea-las ao invés de plantamos ventos, pois assim não colheremos tempestade, e sim, teremos um mar de flores.

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  5. Ai, Márcio! Q romântico. Quer namorar comigo? :P

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  6. Não é romantismo, é sensatez!!!

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  7. Olá,

    Achei interessante o seu comentário. Muita gente tem dito o mesmo: que o filme não tem conflito, não tem culpa. Ë claro que é um tema complexo e polêmico. Mas porque não fazer filmes sem tanta polêmica sobre o tema? Porque filmes sobre homossexuais tem de sempre mostrar a polêmica, a tragédia, o preconceito? Para min o narrador parece ser o personagem mais jovem, e do ponto de vista dele parece não existirem mesmo muitos problemas. Por outro lado, os problemas podem mesmo ter existido. O autor só resolveu não mostrá-los.
    Eu achei o filme maravilhoso, tem rítmo de música. Claro que acho a idéia do amor entre irmãos muito esquisita. Mas, isso sou eu, outras pessoas podem viver uma experiência assim e não morrerem de culpa.
    Por outro lado, acho que agente anda meio colonizado por hollywood que parece mais um circo (com todo respeito aos circos), é tanta ação, tanto carro perseguindo carro, mulher barbada, gente cuspindo fogo, que não conseguimos apreciar uma narrativa mais silenciosa.Em muitos filmes as pessoas falam como metralhadoras. Talvez o silêncio, as lacunas tenham seu valor e nos façam pensar um pouco mais.

    Achei muito legal você ter criado este blog.
    Grande abraço

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  8. Não diria que é o pior filme, mas concordo, roteiro muito fraco, e principalmente, "o filme não propõe nenhuma discussão." é este aí o problema, ele promete levantar o assunto e não cumpre seu papel.
    Também falei sobre o filme no meu blog, frustrado, mas acima de tudo chateado porque essa era uma boa chance do assunto render bons frutos na produção de cultura no brasil.

    [j]

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Ola, Designer J! Obrigado por nos dar atenção vindo visitar o blog. :) Mas referente ao que vc diz a respeito de opinião pessoal sobre o filme, reafirmo tudo o q eu disse no post e saliento que blog tem mesmo este objetivo nobre, o de manifestar sua opinião. Caso contrario seria melhor procurar ler a coluna de algum critico da Folha ou da Bravo!, saca?

    Abaixo eu reproduzo o seu comentario (o qual recebo por e-mail) e que ao que parece foi removido por vc logo dpois de posta-lo:

    Francamente, você pode criticar uma obra que você não tenha gostado, mas seria sensato apresentar seu ponto de vista de forma madura, afinal, há pessoas que gostaram do filme e podem se sentir ofendidas por esses comentários... quanto ao filme em si, não, ele não é nenhum primor do cinema nacional ou mundal, eu realmente esperava mais, senti sim falta de alguma discussão, mas o fato que deve ser levado em consideração é que nunca foi um filme sobre uma discussao, sobre criar um problema... é mais ou menos como um daqueles filmes europeus em que você senta na sala de cinema tão somente para contemplar o filme e nada mais. Seria interessante fazer considerações mais amplas antes de criticar algo por questões puramente pessoais.

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