20 dezembro 2009

Avatar, uma experiência onírica pra fechar a década vem pra desejar vida longa ao cinema




Eu esperava muito de Avatar e logo que o filme começou, sem trailers, na imensa tela iMax do Bourbon Pompéia tive a sensação de que eu teria tudo aquilo que almejava e um pouco mais. Avatar nos faz crer que Pandora e sua gente azul são paupáveis, presenciamos em 160 minutos de filme o fabuloso universo imaginado por James Cameron, e imergimos numa batalha épica torcendo para a vitória dos Na'vi, os habitantes azuis, esguios e... sexys deste distante planeta.



Com a eloquente engenhosidade de Avatar o diretor eleva nossa percepção. Para o cinema ficou a possibilidade de contar histórias ao seu público e os fazer sonhar com uma outra dimensão, aos artistas de cinema cabe escolher e/ou desenvolver técnicas para fazer mais verossímel este enredo, assim, ao assistir Avatar vc percebe que todo o investimento do James Cameron em 14 anos de trabalho para este filme vale a pena, ao nos colocar diante do mais elevado sentido da sétima arte, o de fantasiar nos fazendo crer que estamos diante de uma realidade.  Eis a graça do cinema, eis a magia da arte.

O ponto fraco do filme é o seu roteiro simples que retrata uma guerra conduzida por humanos a um planeta distante em busca de um mineral valioso, e para isso, estão dispostos a destruir a população e cultura local com toda a familiaridade que temos observado ao longo da história da humanidade, com o exemplo recente da guerra dos Estados Unidos ao Iraque. A escolha por um roteiro não rebuscado tem caráter comercial, pois James quer bater o recorde absoluto de seu Titanic, com seus 2 bilhões de dólares arrecadados em todo o mundo. É o esquema hollywoodiano. É business, mas que aqui não fode o filme, acredite.



Um projeto de tantos anos estréia no exato momento em que a humanidade volta-se à preservação de sua espécie, numa onda verde que requer mais atenção ao sucateamento dos recursos naturais, Avatar tem um discurso Eco-Friendly, digno dos hippies dos anos 1960 e ao gosto dos ambientalistas  dos anos 2000. E por falar em hippie, a psicodelia do universo de Avatar impressiona. As cores neon de suas florestas torna Pandora um local mágico, quase celestial e nos faz pensar que James deve mesmo ter tido os seus momentos hippies na fatídica década.



Ao fim da sessão tem se a sensação de ter vivido algo inédito, de estar diante de uma obra-prima do cinema. Avatar fecha a década mostrando que o cinema pode manter-se vigoroso ainda por longos anos, fazendo seu público crer que a experiência de uma imersão como esta só se faz possível numa tela imensa com som e ambientação adequados, e que nenhum DVD pirata na sua tela plana poderá lhe oferecer.


Um comentário:

  1. Vanessa Fernando22/12/2009 19:47

    Totalmente de acordo com tudo bee, inclusive com o ponto fraco do filme, que me deixou com a sensaçao que postei no Facebook, de que ainda espero pela reinvençao do cinema, mas pensando em outros aspectos saca. Deste lado do mundo se fala em um antes e um depois de este feito do Sr. Camerón (que eu batizei de "As cores de Camerón" - falo tb num sentido mais amplo, de todas as cores internas e externas que propoe), que este filme será referência / base para tudo o que virá. É esperar pra ver, pq tb acredito que quando chegamos no "ápice" da tecnologia (ou de algo), naturalmente tentamos voltar ao berço e encontrar maneiras mais simplórias de comunicar. Por exemplo a sensaçao que ficou em mim depois de ver a "Where the Wild Things Are". Bju.

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