23 julho 2008

Os Carros, As Bicicletas e Arte de Reinvindicar

Há que se parabenizar a prefeitura de São Paulo pela lei Cidade Limpa, uma louvável iniciativa para desafogar as mentes paulistanas do que se jugava abusiva comunicação visual. Excesso é degradante, polui, cabe ao Estado zelar pelo bem-estar de sua população. Alguns torceram o nariz, uns procuraram entender a lei, outros fizeram arte. Tony de Marco, fotógrafo, tipógrafo e VJ, clicou uma cidade despindo-se de suas camadas de obsceno descaso, assim que o comércio e a publicidade tiveram de obedecer à nova lei. Sua obra pode ser conferida aqui, já pode ser vista pelos londrinos quando expostas no Design Museum de Londres, e também por gregos e alemães em publicações destes países.

Passado algum tempo, a cidade diante de um azulado céu de inverno, admite que uma nova diretriz desse naipe trouxe mais horizontes e conforto para a vida numa cidade tão caótica.






Atualmente, um outro problema que traz dor de cabeça é o trânsito apocalíptico que o cidadão enfrenta pra se locomover dentro da cidade, e como consequência uma poluição descomunal que aflige a saúde pública. Com a baixa umidade do ar numa cidade que há 32 dias não sabe o que é chuva, um cidadão exposto a esta poluição é como se fumasse 4 cigarros ao dia, segundo o patologista Paulo Saldiva, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Haja pulmão, meus caros! Estima-se que na Grande São Paulo 12 pessoas morram por dia em decorrência desta poluição.

Pensando nisso, o artista Alexandre Orion fez em 2006 de um túnel entre a Av.Europa e a Cidade Jardim a sua tela de protesto. Ao desenhar caveiras pela extensão das grades do túnel antes amarelas e agora pretas pelo acúmulo de fuligem emitida pelos carros que por alí passam frenéticamente, com o uso de flanelas secas, ele nos coloca diante da morte oculta que a cidade vela à sua população.












Veja o vídeo desta intervenção e se possível leia o texto do Professor José de Souza Martins, USP, publicado no jornal O Estado de S.Paulo, em 2006.



Outra intervenção ocorreu recentemente e clamava por respeito ao ciclistas que insistem em fazer uso das vias públicas, ordiariamente cedidas a uso quase exclusivo de veículos motorizados, foi a World Naked Bike Ride - Brazil, que consistia em pedalar pelas ruas de Sampa, assim, tipo, pe-la-dão! A intenção era realmente chamar a atenção de nossos governantes, mas sobretudo, da indecente degradação ambiental que acomete metrópoles que como São Paulo não investem em opções mais eficazes de transporte público. Alguns manifestantes foram algemados e levados à delegacia, uma vez que a nudez foi considerada mesmo aqui de atentado ao pudor. Ui.




Abaixo eis um vídeo Húngaro para incentivar o uso das bicicletas como alternativa ao transporte de lá, uma iniciativa louvável do governo local, aqui, por enquanto, seguimos ansiosos pelo investimento de nossas prefeituras em algo semelhante a um movimento cada vez maior em todo o mundo. Sabe-se que atualmente em São Paulo existem apenas 4.5 km de ciclovias pelas ruas.




via blog Vida Simples

Aproveitando o ano eleitoral, cabe aqui a pergunta: E aê, você já sabe quais são as medidas que os seus candidatos propõem para este problema em sua cidade?



(+)
E pra quem perdeu essa última empreitada dos ciclistas de Sampa, vai rolar agora na próxima sexta, dia 25, o 6º ani
versário da bicicletada de São Paulo. A concentração dos ciclistas ocorre a partir das 18h lá na "Praça do Ciclista" (av. paulista, altura do n.2440). Mais informações você pode conferir na comunidade oficial do orkut e também no blog Apocalipse Motorizado, que inclusive é bem engajado no que refere-se à transporte público, uso de bicicletas e afins.

Fotos a partir dos respectivos sites citados

3 comentários:

  1. Pô, Zeca, agora só falta VOCÊ aprender a montar uma magrela!

    Hahahha!

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  2. Tati Palladino28/07/2008 22:18

    O professor citado é pai da melhor amiga da Titi que aqui vos fala. Estou copiando Ju Martins o link do 6 duzia, que se Deus quiser cairá no meio acadêmico da USP. Tão virando gente grande, em bee...

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  3. Coisa fina, Palladino! hehehehe

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